
A situação de quarentena tem favorecido o aumento do tempo despendido pelas crianças em frente a dispositivos eletrônicos. Com as medidas adotadas para cumprimento do distanciamento social recomendado para combate à pandemia do novo coronavírus, a reabertura das escolas tem sido postergada.
Além disso, muitos pais têm trabalhado remotamente, e com as crianças fora da escola e demandando mais atenção em casa, recorrer às telinhas e dispositivos eletrônicos tem sido a solução.
No entanto, o que era para ser uma solução temporária virou rotina, e os pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) alertam para os riscos provenientes do alto tempo de exposição das crianças nos dispositivos eletrônicos.
A pesquisadora e coordenadora do Programa Primeira Infância Plena da UFMG afirma que, até o primeiro ano de idade, não é recomendado que a criança tenha qualquer exposição às telas.
Para crianças até 6 anos, também não é recomendado que o tempo em frente às telas ultrapasse duas horas diárias. Isso tudo porque, quanto mais tempo diante das telinhas, mais o cérebro da criança é desconectado, o que dificulta o seu desenvolvimento.
Outros riscos da alta exposição aos dispositivos eletrônicos são: déficits de aprendizagem, dificuldade de interação social e de criar vínculos, resistências ao se adaptar ao meio social e a desafios e até mesmo prejudicando o controle inibitório, responsável por controlar impulsos.
Um problema evidente das telas é que, com um celular em mãos, por exemplo, tudo está ao alcance de um clique, e os conteúdos são recebidos de forma instantânea, o que prejudica o desenvolvimento desse controle inibitório, segundo a pesquisadora.
Pensando no pós-pandemia, os pesquisadores recomendam observar os alunos e corrigir comportamentos nocivos ao desenvolvimento. Uma saída possível é reforçar o uso das brincadeiras educativas que ajudem, de alguma forma, a criança a compreender o mundo, lidar com traumas e angústias.
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